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A temida Cinomose

A Cinomose é uma doença muito temida pelos tutores e médicos veterinários, pois sua taxa de mortalidade é muito alta, além das possíveis sequelas neurológicas deixada por ela. Mas poucas pessoas entendem ao certo como ela funciona e como seu animal adquiriu a doença, neste post vamos esclarecer a grande maioria das dúvidas e tentar diminuir este medo.
Bem, a Cinomose é uma enfermidade contagiosa que afeta principalmente os cães, é causada por um vírus da família Paramyxovirus, da espécie  Vírus  da  cinomose  canina (VCC), portanto é uma doença contagiosa, não para os seres humanos e sim entre os animais.
Como meu cão adquiriu a doença?
A Cinomose pode ser transmitida através do contato com excreções corporais de um animal que já esteja com a doença, ou seja, contato com fazes, urina, saliva, placenta e secreções respiratórias.
Quais possíveis sintomas?
Os sintomas podem aparecer em mais ou menos 7 dias após o contato com o vírus e inicialmente não são específicos, dificultando a vida do tutor para identificar se é o caso de um doença tão grave. Os sinais iniciais inlcuem: febre, diarreia, vômito, tosse, secreção nasal, dificuldade de respirar e conjuntivite, podemos confundir com uma possível gripe dos cães. Com o passar dos dias os sinais tornam-se mais evidentes e o animal pode apresentar cegueira repentina ou uveíte, devido a lesões que o vírus causa no nervo óptico, os coxins “almofadinhas das patas” e o focinho ficam com aspecto craquelado o que chamamos de hiperqueratose. Após esta fase surgem os sintomas neurológicos como: convulsões, paralisia dos membros, convulsões do tipo “mascar chiclete”, mioclonias são movimento repetitivos espontâneos podem ser um repuxar de patas ou balançar de cabeça, os cães se tornam mais sensíveis a luz e com a evolução podem ficar agressivos mesmo com o próprio tutor, a chance de sucesso na cura do paciente neste estágio da doença se torna muito pequena, mas não impossível. O grau e o tempo de evolução dos sintomas varia de acordo com a idade do paciente e capacidade do sistema imunológico, ou seja, a capacidade do organismo do animal em combater o vírus.
Diagnóstico
Atualmente existem exames que podem ser feitos para diagnosticar a cinomose, dentre eles estão:
  • Teste rápido feito na própria consulta, pode ser coletado diferentes materias como fezes, urina, secreção ocular, sangue, soro ou plasma, isto vai depender da marca de cada laboratório. A confiabilidade do teste não é de 100%, ou seja, se o animal der um resultado negativo não significa que ele não esteja com a doença, já que apresenta os sintomas clássicos.

  • Testes laboratoriais como PCR de urina ou sangue, Cinomose Total – Ag + IgM + IgG, Imunocromatografia Ag,Cinomose  IgMCinomose  IgG. Todos estes exames devem ser feitos por laboratórios específicos e o tipo de amostra a ser coletada pode variar de acordo com cada laboratório, por exemplo, amostras de sangue, plasma, urina, conjuntiva ou secreção vaginal. São testes um pouco mais caros comparados com o teste rápido, porém são de maior confiabilidade.
Tratamento
Não existe um tratamento específico, já que é uma doença viral, o que normalmente é feito é o que chamamos de tratamento de suporte, ou seja, intuito de diminuir os sintomas e manter o animal confortável. A suplementação vitamínica e um estimulante do sistema imunológico podem ajudar muito nestes casos, pois o organismo vai precisar de ajuda para combater este vírus, além disso existem medicações que podem ajudar nos sinais neurológicos como vasodilatadores cerebrais e anticonvulsivantes.
Outra técnica que esta sendo muito usada e apresenta bons resultados é a técnica de acupuntura, ela age sobre o sistema nervoso  autônomo  e  sistema  endócrino  e  seu efeito pode ser imunoestimulante, analgésico e
antiinflamatório.

Temos que lembrar que a letalidade desta doença é de 50% a 90% e os cães que sobrevivem, principalmente após iniciarem o estágio neurológico, vão ficar com alguma sequela para o resto da vida.
Prevenção
Portanto, neste caso, a prevenção é a única maneira que acabarmos com esse medo. Os animais devem ser vacinados a partir dos 45 dias de vida, o protocolo vacinal é estabelecido pelo veterinário e pode variar de acordo com cada conduta profissional, é importante não sair para passeios na rua ou em ambientes desconhecidos antes de acabar este protocolo vacinal e não podemos esquecer de revacinar TODO ANO nossos cães e não é a vacina da raiva que vai evitar a possível contaminação da Cinomose e sim a vacina chamada V10, que contém as principais viroses que podem acometer nossos cães. Outro ponto importante a ser falado sobre a vacina V10 é que ela deve ser feita por profissionais da área, então cuidado aonde você vai comprar e aplicar esta vacina, o armazenamento de vacinas deve ser feito corretamente para que ela não perca sua capacidade de fazer o efeito desejado no organismo e existem locais que acabam fazendo este procedimento de forma incorreta, o mais seguro é ir até uma clínica veterinária.

Devemos tomar cuidado também ao colocar um animalzinho em um ambiente novo, por exemplo, se você já teve um cão com Cinomose deve esperar cerca de 1 ano para introduzir o novo morador ou fazer uma limpeza minuciosa de toda a residência com o intuito de acabar com a presença do vírus no local, a caminha e utensílios também devem ser trocados.
Se seguirmos a risca os métodos preventivos, posso garantir que as chances de seu animal adquirir a doença é mínima e esta não será mais a sua preocupação.