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Meu cão mexeu com um sapo! E agora?

Muito comum na rotina da clínica casos em que os cãezinhos mexem, brincam ou matam os sapos que aparecem em nossas casas e seus donos se desesperam a ponto de cometerem erros que ao invés de ajudar podem agravar os sintomas da intoxicação, por falta muitas vezes de informação correta do procedimento ideal e se, de fato, o sapo tem o potencial de levar o animal a óbito. Vamos esclarecer algumas coisas e desvendar os mitos e verdades sobre esse assunto.
Os sapos mais comuns encontrados no Brasil, que oferecem algum tipo de risco aos pets, pertencem a Família Bufonidae, este tipo de anfíbio possui glândulas por todo o corpo que secretam muco com intuito de proteger sua pele, controlar o crescimento de microrganismo e proteção contra predadores. Uma das glândulas de extrema importância nos casos de intoxicação são as glândulas paratóides que se localizam na região pós-orbital, ou seja, acima dos olhos, que secretam toxinas com aspecto leitoso chamadas de toxinas bufogeninas, bufotoxinas e bufoteninas.

Os cães, principalmente os filhotes, ao morderem o sapo acaba ingerindo esta secreção produzida pela glândula, que é rapidamente absorvida pela mucosa oral e intestinal, a gravidade da intoxicação vai depender da quantidade de veneno ingerida pelo animal e o tipo de sapo, pois uns são mais perigosos que outros. Como os casos normalmente acontecem a noite, justamente pelos hábitos noturnos destes anfíbios, a identificação do momento exato do acontecimento e o tipo de sapo, fica comprometida.
Vou exemplificar alguns sapos que podem ser encontrados mais facilmente em nossos quintais:
Sapo cururu, sapo da cana, sapo comedor de besouro
Nome científico: Rhinella ictérica (nome antigo: bufo ictericus)
Distribuição: Do Nordeste ao Sudeste do Brasil.
Hábitos: Noturnos. Durante o dia permanece em tocas entre raízes de árvores, no solo ou entre pedras.
Sapo de chifre
Nome científico: Ceratophrys ornata (nome antigo: bufo schneideri)
Distribuição: Comum no Sul do Brasil
Hábitos: Noturnos. Durante o dia permanece enterrado em folhas, musgos e capins.

Sapo Amarelo
Nome científico: Rhinella crucifer
Distribuição: Centro e leste do Estado de São Paulo e sul do Estado do Rio de Janeiro.
Hábitos: Noturno, porém podem aparecer nas primeiros horas do dia.

Os sinais mais comuns de intoxicação pelo veneno de sapo são: salivação excessiva, mucosas bem avermelhadas quase roxa, vômito, cegueira, respiração ofegante e dor abdominal. Quando o veneno afeta o sistema nervoso central os sintomas aparece em forma de convulsões, incoordenação, espasmos musculares e até mesmo o coma.
O que devemos fazer se nosso animal apresentar algum desses sintomas?
O ideal é levar imediatamente a um médico(a) veterinário(a).
Mas existem alguns procedimentos que podem ser feitos em casa, como por exemplo lavar bem a boca do cão com água corrente até a salivação diminuir a ponto que ele se sinta mais confortável.
A administração do leite como um “antídoto” é controversa, os cães adultos não produzem a enzima para a degradação da lactose como nós seres humanos, por seres exclusivamente carnívoros e isto pode em alguns casos até agravar as condições do seu animal, portanto evite este tipo de procedimento.
Se o seu cão é daqueles levados recomendo sempre ter um saquinho de carvão ativado em casa, é uma ótima alternativa até o tempo de chegada do médico veterinário. O carvão ativado pode ser usado sem contraindicação e riscos de superdosagem nestes casos, além de ser facilmente encontrado no mercado pet e barato, ele impede e\ou dificulta veneno de ser metabolizado pelo organismo e deve ser administrado rapidamente, quase que imediatamente após a ingestão do veneno ou toxina.
         Outra opção é a indução do vômito por meio do uso de água oxigenada na concentração de 3%-6% misturada com água na proporção de 1 pra 1, exemplo: 1ml de água oxigenada com 1ml de água, na dose de 1ml a 3 ml para cada kg do animal, exemplo: um animal que pesa 6kg a dose mínima é de 3ml e a dose máxima é de 18ml. Esta técnica, assim como a do carvão ativado deve ser feito quase que imediatamente após a ingestão do veneno.

Agora, em casos em que seu cão apresenta logo os sinais clínicos neurológicos, o tempo é crucial no tratamento deste. Ele deve ser levado ao médico veterinário para a realização do procedimento mais adequado no consultório, necessitando de medicações intravenosas para a diminuição e estabilização do animal.